Foto: Floriano Lima
Pesquisa constata presença de coliformes em água de poços no Novo Horizonte
Pesquisa constata presença de coliformes em água de poços no Novo Horizonte

 

O trabalho de conclusão de curso da acadêmica Luciane Picanço chamou a atenção para um problema grave de saneamento básico no bairro do Novo Horizonte, zona norte de Macapá.

A estudante conduziu uma pesquisa para analisar a qualidade da água que é consumida no bairro, desabastecido pelo sistema de fornecimento de água da CAESA, no qual muitos residentes retiram água do lençol freático através de poços rasos, os chamados poços “amazonas”.

Luciane Picanço, agora licenciada em Química pela Universidade do Estado do Amapá (UEAP), foi orientada pelos professores Dr. Jardel Barbosa e Dr. Gabriel Araujo da Silva. Como resultados, os pesquisadores detectaram a presença de coliformes fecais, atualmente qualificado como termotolerantes, em quase todos os poços analisados, para além de outros problemas em relação à qualidade da água, como a turbidez (a sujeira que pode ser vista a olho nu) e variações de pH (fator que determina a acidez da água) procedentes da ação microbiológica.

“Quando explicávamos o resultado positivo para coliformes totais e termotolerantes, os moradores ficavam muito assustados”, relatou Picanço. Durante as análises, a pesquisadora revelou que ouviu muitas pessoas da localidade se queixando de doenças no trato gastrointestinal, tais como vermes e diarréias. O resultado da pesquisa aponta para uma causa evidente dessas doenças.

CULTURA LOCAL

Segundo dados da Associação Nacional de Águas (ANA), há em Macapá pouco mais de 100 poços perfurados. Contudo, a pesquisa realizada constatou que, segundo o IBGE, há mais de 4 mil poços abertos apenas no bairro Novo Horizonte.

O costume de abrir poços por iniciativa própria sem licença ambiental virou praticamente uma cultura popularizada no Estado. Retirar água direto do primeiro lençol freático, apesar do enorme risco de se obter água contaminada, é uma opção mais barata que cavar poços mais profundos, os chamados poços artesianos, com pelo menos 30 metros de profundidade. “Não encontramos alterações nas águas dos poços artesianos, mas isso era esperado, pois a água abaixo dos 30 metros não vem do lençol freático sujo, e sim de um aquífero confinado”, explicou Luciane.

Essa atitude pode se justificar como uma reação natural da população à falta de saneamento e o pouco ou nenhum acesso à água encanada, porém, como a maioria dos poços são construídos irregularmente, muitos carecem de cuidados básicos para manter a água potável. Os pesquisadores observaram muitos construídos perto de fossas irregulares, moradores que usam cachaça e água sanitária despejada diretamente ao poço, acreditando que isso irá limpar a água, e até mesmo utilizando o poço como saída de esgoto. 

SOLUÇÕES IMEDIATAS

Para a pesquisadora, a solução ideal é o abastecimento por água encanada. Contudo, para o momento ela recomenda aos moradores a utilização de hipoclorito, filtro por carvão ativado ou mesmo a fervura e filtragem da água antes do consumo.

Além dessas medidas individuais, Luciane Picanço acredita que uma campanha regional de conscientização de abertura e manutenção dos poços surtiria um efeito muito positivo na comunidade, bem como aos demais bairros.

A pesquisa da acadêmica, “Análise exploratória de dados da qualidade da água de poços amazonas na cidade de Macapá”, foi publicada no último volume da Revista Águas Subterrâneas (Qualis B2) e está disponível para consulta pública no endereço https://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/article/view/28941.

A Egressa Luciana Picanço, no laboratório da universidade.

Publicado em: Segunda-feira, 05 de Março de 2018 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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