Foto: Floriano Lima
Arquiteto Paulo Mendes da Rocha estuda projeto para novos prédios da Ueap
Paulo Mendes da Rocha esteve pela primeira vez em Macapá e palestrou para centenas de pessoas no anfiteatro da Universidade Federal.

Em sua marcante visita ao Estado, Paulo Mendes da Rocha, acompanhado de seu companheiro de trabalho o arquiteto Eduardo Argenton, visitou terreno destinado ao campus da Universidade do Estado (Ueap), no município do Amapá, e também deu palestra a convite do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), no anfiteatro da Unifap.

O arquiteto abriu conversações com representantes da Ueap e do Governo do Estado para projetar os campi da capital e do município do Amapá – o que representaria as suas primeiras obras dentro da Amazônia.

Em sua palestra, Mendes da Rocha ressaltou a abundância de água no Amapá e exaltou essa qualidade como ponto de partida fundamental para os projetos urbanísticos. “A natureza não é para nós apenas uma paisagem, mas um conjunto de fenômenos”, afirmou, arrancando aplausos da plateia de mais de 300 pessoas que saborearam em detalhes as curiosidades de várias obras de Mendes da Rocha, narrados ali pelo próprio autor, a exemplo do Museu dos Coches, em Portugal, e o projeto da Baía de Montevidéu.

Temos que ser particularmente amazônicos”, exaltou Mendes da Rocha, ao alertar para o aspecto destrutivo da urbanização que levou cidades como São Paulo a perderem seus afluentes. A preocupação do arquiteto pelas características hídricas do Amapá talvez tenha raízes hereditárias. Quando Paulo Mendes ainda era criança, seu pai, professor de engenharia naval da USP, o levava para visitar as obras de embarcações e o funcionamento das máquinas navais. Portanto, é de se imaginar que a água, tão abundante no Estado, seja um elemento que evoque no urbanista o fascínio e a necessidade da preservação.

UEAP – Paulo Mendes veio ao Amapá a convite da Ueap, em particular do físico e docente Reginaldo de Jesus Farias. A intenção é que o arquiteto examine as áreas onde funciona a Universidade – que já sofre da falta de estrutura física devido ao seu processo de expansão – para que se pense num projeto de reforma ou ampliação dos campi. “A universidade é um projeto de cidade”, afirmou.

Kátia Paulino, reitora da Ueap, organizou junto ao CAU e o secretário de infraestrutura do Estado, Alcir Matos, uma pequena comitiva para guiar Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Argenton pelas dependências da Ueap e por alguns monumentos da capital, tais como a Fortaleza de Macapá.

O Grupamento Tático Aéreo da Polícia Militar (GTA) conduziu de helicóptero o arquiteto até o município do Amapá, onde ele esteve com o prefeito Carlos Sampaio, e conheceu o campus local da Ueap. Em outra oportunidade, Mendes da Rocha visitou o campus I da UEAP, no centro da capital, onde foi cogitada a possibilidade de erguer um prédio no local onde hoje funciona a quadra poliesportiva, podendo anexar também terrenos próximos já pertencentes ao Estado, como a Escola Graziela dos Reis e o ginásio do Centro Paulo Conrado. “Estamos ainda numa fase de conversa inicial com o Paulo Mendes”, explicou Kátia Paulino.

Com um portfólio extenso, Paulo Mendes da Rocha já foi laureado em diversas ocasiões ao longo de seus 90 anos, com destaque para o prêmio Pritzker, o prêmio mais importante da arquitetura mundial; o Leão de Ouro, durante a Bienal de Veneza, em 2016; e também em 2016 o Prêmio Imperial do Japão, em Tóquio.

O Paulo Mendes é o arquiteto mais premiado do Brasil e ainda não possui nenhuma estrutura projetada na região amazônica, isso seria um marco na sua brilhante carreira, assim como seria bastante significativo e ímpar para o Estado possuir uma obra projetada por ele. Por isso, através de uma iniciativa do professor Reginaldo de Jesus, ele foi convidado pela UEAP para nos visitar, na perspectiva de que ele conheça os nossos campi e terrenos e tenha interesse em projetar um futuro campus com um projeto arquitetônico modernista, como é sua característica. Isso seria um marco na arquitetura amapaense e de grande notoriedade para a UEAP”, afirmou a professora Marcela Videira, da vice-reitoria.

O arquiteto é responsável por diversas obras de destaque no país, como a reforma da Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz. A obra de Paulo Mendes da Rocha possui características modernistas, com a utilização de concreto armado aparente, grandes espaços abertos e composições inspiradas na chamada Arquitetura Racionalista, influência de sua formação intelectual no grupo de estudos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, nos anos 50.

Publicado em: Terça-feira, 27 de Novembro de 2018 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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