Foto: Floriano Lima
UEAP recebe ato nacional de povos indígenas
Com o lema “nenhuma gota a mais”, representantes indígenas estiveram na UEAP em protesto de envergadura nacional.

Lideranças de povos indígenas e movimentos sociais realizaram, no campus I da UEAP, um ato que aconteceu simultaneamente em outras cidades do país. Trata-se do evento “(R)existir para existir”, onde as lideranças indígenas se reuniram em diversas capitais e grandes centros para comunicar preocupações e anseios que lhes afligem após a nomeação de políticos que declararam abertamente em campanha o menosprezo pela causa indígena, dentre eles o próprio presidente eleito Jair Bolsonaro.

O ato ocorreu na UEAP na tarde da última quinta-feira, 31 de janeiro, e reuniu povos do Amapá e Norte do Pará, como aos da tribo Karipuna, Wapalai e Waiãpi. Em pauta, uma das principais reivindicações era a demarcação de terras, da qual a hashtag #DemarcaçãoJá foi compartilhada em videoclipe exibido no hall do campus I, gravado por diversos artistas nacionais consagrados, como Tetê Espíndola e Zeca Pagodinho. “Esse modelo que o Brasil tem baseado na sociedade europeia nos acaba, nós temos as nossas riquezas, somos diferentes”, afirmou Priscila Karipuna, representante da Articulação Indígena do Oiapoque e Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará.

Segundo as informações oficiais, a política de demarcação fundiária vai passar por algumas mudanças. O tema foi assunto de reunião já no começo do novo mandato presidencial entre a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina, e os titulares do Meio Ambiente, Ricardo Salles; Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves; e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno. Os novos gestores decidiram editar um decreto presidencial que cria um conselho interministerial para tratar da identificação, da delimitação, da demarcação e dos registros das terras de comunidades tradicionais, incluindo os quilombos.

Antes, essa era uma atribuição da Fundação Nacional do Índio (Funai), que atualmente responde à pasta dos Direitos Humanos, presidida por Damares Alves, acusada recentemente pelos Kamayurás de sequestrar da tribo uma criança de seis anos de idade chamada Lulu Kamayurá, hoje com 20 anos. Os indígenas cobram da ministra os papéis que comprovam a legalidade da adoção de Lulu e também que cessem as incursões de missões religiosas a aldeias.

Eles acabaram com a Funai”, vaticinou o cacique Gilberto Iaparrá. O cacique afirma isto em desagravo tanto ao rearranjo das demarcações, quanto à transferência da Funai do Ministério da Justiça para o novo ministério ocupado por Damares Alves.

A ministra nomeou para o órgão o general do Exército Franklimberg Riberito de Freitas. O general foi sugerido ao governo sob o argumento de ter origem indígena e possuir alta patente militar, o que agradaria a vários dos setores envolvidos. Porém, há um desgaste do nome do novo presidente do órgão por ele já ter exercido por 9 meses a presidência da fundação durante o governo Temer e ter sido exonerado do cargo após desentendimentos com deputados da bancada ruralista, que assinaram um abaixo-assinado acusando o general de não colaborar com o setor.

Além disso, pesa sobre Franklimberg Freitas o fato de assumir como conselheiro de uma mineradora canadense no Pará, a Belo Sun Mining, logo após ter deixado a FUNAI. A Belo Sun Ming possui conflitos com duas etnias indígenas paraenses, Juruna e Arara, além de povos ribeirinhos da região da Volta Grande do Xingu.

As lideranças indígenas presentes na UEAP agradeceram a todos os presentes no encontro, que lotou o hall, em especial aos professores Pedro Correia de Sousa e a professora Iranir Andrade, que articulou o evento na UEAP junto com as ONGs do Greenpeace e WWF Brasil.

Publicado em: Sexta-feira, 01 de Fevereiro de 2019 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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