Foto: Floriano Lima
Catálogo com espécies de peixes encontrados na zona costeira do Amapá é lançado na UEAP
Trabalho de dois anos resultou em um livro que vai ajudar em pesquisas e políticas públicas voltadas para o setor pesqueiro amapaense.

Por Aílton Leite (Portal GEA)

54 espécies de peixes encontrados na zona costeira do parque Nacional do Cabo Orange agora estão catalogadas com informações cientificas, descrição, hábitos e status de conservação inseridas em um livro lançado nesta quarta-feira, 27, no auditório da Universidade do Estado do Amapá (Ueap).

O livro Peixes da zona Costeira do Parque Nacional do Cabo Orange, Estuário Amazônico, Amapá, Brasil, é fruto de um trabalho desenvolvido por uma oceanógrafa da Agencia de Pesca do Amapá (Pescap), de professores do curso de engenharia de pesca da Ueap e de acadêmicos, que durante dois anos, fizeram todo o levantamento e estudo das espécies catalogadas no livro.

Trata-se do primeiro livro publicado sobre espécies de peixes da costa do Amapá e a ideia dos organizadores é ampliar o trabalho para outras espécies que não foram inseridas nesta primeira edição.

Segundo a oceanógrafa e analista de meio ambiente da Pescap, Érica Jimenez, o livro é resultado de um projeto chamado Plano de ação sustentável, ações pra gestão participativa da pesca no norte do Amapá, e teve como financiado pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), em parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“O objetivo do projeto era fazer um levantamento das espécies de peixes que ocorrem dentro do parque, assim como o mapeamento das áreas de pescas junto com os pescadores, ou seja, uma descrição da pesca e da situação socioeconômica desses pescadores”, relatou a oceanógrafa.

Pela legislação, por se tratar de uma unidade de conservação de proteção integral, um importante berçário que serve para crescimento e reprodução de diversas espécies. Também é considerada sensível e vulnerável, inclusive, com especieis ameçadas de extinção. Por isso, não seria permitido a pesca no local.

Porém, a oceanógrafa explicou que, como já existiam pescadores e comunidades tradicionais que atuavam na referida área antes da criação do parque, existe atualmente um acordo chamado Termo de Compromisso mediado pelo Ministério Público Federal (MPF), que permite a pesca somente aos pescadores de Oiapoque.

O livro que não será comercializado, é uma síntese de todas as espécies que a equipe conseguiu capturar durante a pesquisa como a pescada amarela, uritinga, bagre, robalos, várias espécies de arraias, dourada, piramutaba e até um tubarão-martelo, entre outros. Ele será distribuído para instituições de ensino e de pesquisas, organizações de pescadores.

“O livro tem a função de difundir, de divulgar o conhecimento que temos sobre o parque, que ainda é uma área com poucas informações biológicas, econômicas. Queremos que as pessoas tanto da área acadêmica, como aquelas que não estão inseridas neste contexto, possam conhecer um pouco do que tem no parque”, ressaltou.

Para a professora do curso de engenharia de pesca da Uepa, Marilu Amaral, que participou de duas das seis coletas, a maior dificuldade para a realização das pesquisas foi o acesso a esses os pontos que fica na região costeira do parque, que engloba toda a costa de Oiapoque e 70% de Calçoene. “Fiquei onze dias embarcada e pra quem não é acostumada a isso, é bem complicado. Foi um trabalho difícil, por conta de ir ao local, coletar material, trazer pra capital aonde foram feitas todas as analises, imagens que hoje fazem parte deste catalogo, porém, todo sacrifício foi gratificante”, detalhou.

O livro segundo o engenheiro de pesca da Pescap, Ricardo Medeiros, que a quase meia década atua na região de Oiapoque, o trabalho é de grande relevância para o setor o pesqueiro, e vai corroborar com a tese de direito transfronteiriço que discuti a ideia de que brasileiros possam pescar em águas guianenses, o que atualmente não é permitido.

“Os sistemas biológicos dessas espécies tem um fluxo de migração Amapá/Guiana através das correntes marítimas norte do Brasil e as informações contidas neste livro vão embasar políticas públicas de acordos bilaterais entre os dois países. A gente podendo pescar em território francês, vai ajudar no ordenamento pesqueiro de ambos os lados”, destacou.

O diretor-presidente da Pescap, Edson França, ressaltou que a costa amapaense possui uma potencialidade grande de espécies de pescados e conhecer isso é importante para que se debata políticas voltadas para o fortalecimento do setor, um dos importantes para a economia local.

“Temos com isso algumas espécies catalogadas. Agora precisamos fazer o monitoramento pra saber qual a capacidade de peixes que nós ainda temos na costa do Amapá, saber pra onde esse peixe tá indo, como ele sai, conhecer um pouco mais sobre a grude, que também é um trabalho novo que colocamos como um desafio para os pesquisadores do setor. Temos que saber de que espécies são retiradas, pra onde vai esse material, o que fica no estado, tudo isso pensando em potenciar isso e ordenar essa pesca na costa do estado para que isso gere desenvolvimento econômico e social ao Amapá”, finalizou.   

Publicado em: Quarta-feira, 27 de Março de 2019 por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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