“Ninguém é mais que ninguém, absolutamente, aqui quem fala é mais um sobrevivente” -- essas palavras estão na música Fórmula Mágica da Paz, do Racionais MC’s (álbum Sobrevivendo no Inferno), no entanto, traduziriam com perfeição o papel do projeto Filosofia e Hip-Hop, subprojeto do programa Residência Pedagógica. Esse projeto é voltado a dar oportunidades aos estudantes dos cursos de licenciatura de ganharem experiência em salas de aula, lecionando para alunos de escolas do ensino básico do estado e município.
De 20 a 22 de março de 2024, o projeto apresenta atividades como oficinas de poesia, grafite, break dance, batalha de rap e um cine-debate, nas dependências da escola campo Escola Estadual General Azevedo Costa, ação que marca o encerramento dos dezoito meses de desenvolvimento do projeto, trabalhando as intersecções entre a filosofia e o movimento hip-hop.
HIP-HOP é um gênero musical cantado de forma rápida e que se dirige, principalmente, aos jovens das periferias, o rap apresenta um caráter de denúncia e as letras misturam poesia e protesto. Nos anos finais da educação básica, os raps podem ser nossos aliados na educação. “O objetivo desse nosso projeto é, além de desenvolver a autonomia e a habilidade docente, proporcionar um alcance para o aluno do ensino básico que existe conhecimento na própria vivência cultural deles", afirma a professora de filosofia, Josiane Ferreira, que leciona para turmas do ensino médio da escola General Azevedo Costa.
O projeto propicia aos acadêmicos o exercício da prática docente e leva ritmos periféricos, como o hip-hop, mostrando aos alunos que a produção cultural contribui para a construção do aprendizado. O conhecimento não se constrói apenas em centros acadêmicos, ele pode ser produzido na periferia, que ainda é muito estigmatizada, e isso nos impede de ter uma apreciação estética total sobre a cultura ali inserida.
A poética das ruas pode favorecer o interesse por formas de manifestação cultural, que nem sempre são valorizadas. Assim, a leitura de letras de raps pode ter grande apelo entre o público jovem.
Além da proximidade com o universo dos alunos, trabalhar com esse gênero é uma oportunidade singular para debater questões sociais, além de possibilitar o desenvolvimento da oralidade e da capacidade argumentativa.
Cleiderlan Dias, aluno do projeto Residência Pedagógica, apresentou aos alunos da escola General Azevedo Costa uma oficina cine-debate, com o curta “Meu amigo Nietzsche”. Nas palavras do estudante: “essa obra é uma denúncia contra o preconceito intelectual. É sobre afastar uma ideia de que o conhecimento está somente nas esferas acadêmicas, eurocêntricas”.
A programação do evento segue até o próximo dia 22, sexta-feira, finalizando com uma Batalha de rap, quando MC’s da cena do hip-hop amapaense irão se desafiar em duelos de rimas cantadas em ritmo de rap.