Um projeto de pesquisa binacional, financiado pelo programa FOVI (Fomento à Vinculação Internacional) do Chile, conta com a colaboração de pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) para investigar as propriedades da maçã limona, um fruto ancestral da região de Los Ríos, no sul do Chile. O estudo, liderado pela pesquisadora Dra. Luisa Quesada Romero, da Universidade San Sebastián (USS), busca resgatar e valorizar a fruta sob uma nova perspectiva: seu potencial biomédico e suas propriedades benéficas para a saúde humana.
O professor Gabriel Araújo, da Universidade do Estado do Amapá, é um dos pesquisadores brasileiros que integram a equipe. O projeto se baseia em uma colaboração pré-existente entre a UEAP e pesquisadores chilenos, visando explorar o potencial da "maçã limona" para a produção de alimentos funcionais. “Estamos levando a experiência do açaí do Amapá para o Chile, no âmbito do projeto FOVI com a Universidad San Sebastián. Depois de recebermos as professoras Marcela Low e Luísa Quesada no Brasil, agora é a vez de apresentarmos nossas metodologias e participar de um workshop com produtores locais, mostrando como a valorização de alimentos ancestrais pode fortalecer cadeias produtivas — no Chile, em especial com a maçã limona", afirma Gabriel.

Do pomar ao laboratório
Embora a fruta seja amplamente utilizada na produção de sidras e licores artesanais, a pesquisa é pioneira em seu estudo científico. "Queremos mostrar que a maçã limona não é apenas um produto de interesse comercial para a produção de bebidas alcoólicas, mas também um alimento com propriedades benéficas para a saúde humana", afirma a Dra. Quesada.
Um dos diferenciais da pesquisa é a aplicação da química verde, uma técnica que utiliza solventes naturais, biodegradáveis e não tóxicos para extrair compostos bioativos, como os polifenóis. Esses compostos são conhecidos por sua alta capacidade antioxidante, que ajuda a prevenir doenças crônicas como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
A Dra. Quesada explica que o uso de solventes verdes "cria uma sinergia com os metabólitos naturais da fruta, aumentando sua potência antioxidante. Além disso, são mais amigáveis com o meio ambiente e com o nosso próprio corpo". A metodologia, que conta com a expertise do pesquisador brasileiro Gabriel Araújo, é fundamental para o sucesso do estudo.
Intercâmbio Brasil-Chile e a conexão do açaí com a maçã
O intercâmbio de conhecimentos é um ponto chave do projeto. No primeiro semestre de 2025, a equipe chilena visitou universidades brasileiras, incluindo a Universidade do Estado do Amapá, para aprender sobre a experiência brasileira com alimentos funcionais feitos a partir de frutos nativos, como o açaí.
A colaboração não só permitiu a troca de experiências, como também consolidou a rede de cooperação internacional. A Dra. Quesada destaca que a visita "nos permitiu conhecer outras formas de vincular a pesquisa com produtos alimentares locais. Queremos seguir nessa linha, postulando, por exemplo, a fundos em conjunto com pesquisadores internacionais para desenvolver novos produtos funcionais a partir da maçã limona".
A colaboração entre o Brasil e o Chile abre um caminho promissor para o desenvolvimento de pesquisas e produtos inovadores. O projeto, que termina em novembro de 2025, ainda terá um workshop no dia 3 de outubro em Valdivia, no Chile, onde serão apresentados os primeiros resultados da pesquisa. A participação brasileira neste estudo internacional reforça a excelência da pesquisa nacional e sua relevância no cenário científico global.