Entre os dias 22 e 24 de Julho, uma equipe de pesquisadoras formadas por docentes e acadêmicas do curso de Engenharia Agronômica da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) participou do Congresso Paulista de Fitopatologia, realizado na cidade de Botucatu, estado de São Paulo. Foram apresentados trabalhos que utilizam o tucupi como método para combate à praga da vassoura de bruxa.
No evento, que reúne pesquisas sobre a proteção de espécies vegetais contra pragas, foram apresentados três trabalhos desenvolvidos no Laboratório do Campus Território dos Lagos da universidade.
Um dos estudos, apresenta um método sobre o uso do tucupi, subproduto tradicional da mandioca, no controle do fungo Ceratobasidium theobromae (Pat.) P. Roberts agente responsável da vassoura de bruxa da mandioca. A vassoura de bruxa é uma das principais doenças da cultura da mandioca no Amapá e pode causar perdas de até 80% na produção de raízes.
No teste laboratorial in vitro, realizado dentro de placas de Petri, diferentes concentrações de tucupi foram aplicadas em meio de cultura. O resultado demonstrou que o tucupi inibiu 100% do crescimento do fungo. Concentrações a partir de 7% já apresentaram redução significativa. A pesquisa aponta o tucupi como uma alternativa natural, de baixo custo e sustentável para o manejo da doença.
A pesquisa conta com os professores Dr. William Xavier, do colegiado de Engenharia Ambiental, Dra. Patrícia Sousa e Dra. Alana Soares, do colegiado de Engenharia Agronômica, que explicou que essa pesquisa valoriza um resíduo da agroindústria local e oferece uma nova ferramenta para o pequeno produtor de mandioca e farinha.
“O estudo destaca o potencial do tucupi como biofungicida natural, sustentável e adaptado à realidade do produtor amazônico, transformando um resíduo da farinha em aliado da agricultura”, disse a professora Alana.
Outros dois trabalhos apresentados no evento são conduzidas por alunas de Engenharia Agronômica, desdobramentos da pesquisa com o tucupi e orientados pela professora Alana. Um dos trabalhos realizou testes com fungicidas, com o objetivo de comparar e avaliar quais produtos apresentaram maior potencial de inibição do crescimento micelial do patógeno, trabalho este apresentado pela acadêmica Anne Sucupira.
A outra pesquisa conduzida pela estudante Regiane Castillo, em que foi realizada uma análise da comercialização da mandioca através do Programa Aquisição de Alimentos (PAA) do Governo Federal. Os resultados dos trabalhos são o primeiro passo para identificar alternativas de manejo químico da doença, visando apoiar o produtor de mandioca do Amapá na redução de perdas na lavoura.
Agora, as pesquisadoras pretendem realizar testes em campo para validar o uso do método nas lavouras.
Acesse os trabalhos, na íntegra, através do LINK.