A Universidade do Estado do Amapá, em conjunto com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/MEC), as Secretarias de Educação (estadual e municipal) e as escolas-parceiras, promovem de 13 a 15 de março o seminário “A Iniciação à Docência e a interface entre universidade-escola”.
O evento ocorre nas dependências do campus I da Ueap, e o propósito principal é realizar a divulgação dos resultados do Programa de Bolsas de Iniciação à Docência - Pibid, programa em que os estudantes dos cursos de licenciatura da Ueap têm oportunidade de ganhar experiência em salas de aula, lecionando para alunos de escolas do ensino básico do estado e município. Na edição deste ano do Pibid, 121 estudantes da Ueap auxiliaram 11 escolas da rede estadual e municipal de Macapá, ao longo de 18 meses.
“Nesta última edição, centramos o foco do programa em escolas de Macapá que apresentaram níveis educacionais abaixo do satisfatório”, afirma a professora Danielle Dias, docente do curso de Pedagogia e coordenadora do Pibid. "Para o próximo Pibid esperamos ampliar ainda mais a possibilidade de atingirmos mais escolas. Elas têm nos relatado impactos muito positivos da presença dos nossos alunos lá, são acadêmicos que levam projetos de literatura, de alfabetização, de ciências. Tudo conversado com as escolas, sem uma programação impositiva. Nosso objetivo é integrar e melhorar os indicadores escolares, o que tem ocorrido". Segundo informações da Pró-reitoria de Graduação da Ueap, existe a possibilidade de ser incluído no próximo Pibid no programa mais um curso, de Licenciatura em Música.
EXPERIÊNCIAS - O Pibid desempenha um papel significativo na formação de educadores e na melhoria da qualidade da educação, verificáveis nos relatórios apresentados pelas escolas que aderem ao programa, além da experiência prática que se antecipa ao acadêmico de um curso de licenciatura. Alef Sousa, estudante de Química da Ueap, atuou no Pibid com um projeto sobre o ensino de plantas medicinais, na Escola Deusolina Sales Farias, no bairro do Pacoval. O estudante relata: "a minha experiência eu considero como surreal, e eu recomendo isso a todos os que querem seguir na atuação em sala de aula. Essa experiência de atuarmos cedo numa perspectiva diferente, de ir para uma escola de periferia, entender aquela realidade, isso é muito benéfico para nós enquanto professores e como acadêmicos também”.
Outro aspecto do Pibid é o de proporcionar a integração universidade-escola, permitindo que os licenciandos trabalhem diretamente com professores mais experientes. Hoje, mestra em pedagogia, Miquelly Pastana participou de umas das primeiras edições do Pibid (2014) esteve presente no seminário para relatar o impacto da experiência em sua trajetória profissional. Segundo Pastana, o programa recebeu críticas em seu início porque previa um foco apenas em universidades como a Ueap, onde existe um foco para a educação m comunidades periféricas, envolvendo populações tradicionais, indígenas ou dentro de uma escola quilombola. Miquelly relata que sua experiência no Pibid envolveu a atuação em uma escola-campo, " ter que lidar profissionalmente com a diversidade étnico-racial, e a saber lidar já cedo com a insegurança que envolve o trabalho em sala de aula foi muito desafiado. Minha carreira é um reflexo da minha trajetória acadêmica nesse âmbito da docência na Amazônia amapaense", afirma a egressa. Miquelly atualmente integra a Rede de Pesquisa sobre Pedagogias Decoloniais da Amazônia (RPPDA) e o Grupo de Pesquisa em Educação, Gênero, Diversidades e Decolonialidade (GEPEGDD/UNIFAP).
Elizângela Matos, diretora da Escola Reinaldo Damasceno, aprova a vinda dos estagiários. Nessa escola o programa atendeu os alunos do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e de acordo com a diretora Elizangela: "é uma clientela que já exige uma atenção diferente, pois muitos dos estudantes desta modalidade são já senhoras que estão voltando a estudar. Foi um resultado surpreendente para todos nós. Espero que o projeto continue".
Para Ana Guerra, da Secretária de Estado da Educação (SEED), o laboratório proporcionado pela Ueap é fundamental para a formação de professores que têm um perfil bastante desejável para atuação no estado do Amapá. “Queremos um profissional com formação holística, que consiga conectar os saberes acadêmicos com os práticos de uma sala de aula. O professor deve ter contato com a nossa realidade no estado, que é um estado de muita diversidade cultural. É preciso pensarmos na realidade e no saber de cada comunidade, de diversas localidades, que tem muitas visões de mundo diferentes. Só temos a agradecer o empenho da Ueap e as escolas que aderiram ao programa", ressaltou Guerra.
A pedagoga também revelou outro projeto, intitulado “Universidade Aberta do Brasil”. Esse projeto é uma formação EAD pública de iniciativa federal que vai absorver alunos que por ventura não conseguem passar nas universidades presenciais, seja por notas, seja por viverem distantes de um campus. Segundo a secretária, o Amapá está estruturando 5 polos da Universidade Aberta, com 2 já em funcionamento Macapá e Oiapoque.
Durante o seminário, que se estende até a próxima sexta-feira, 15, serão compartilhadas experiências obtidas por acadêmicos de cursos de licenciatura da Ueap dos cursos de Ciências Naturais, Letras-Português, Pedagogia, Filosofia, Química e Matemática.