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Professor da UEAP integra Programa Biorama 2025 com projeto de rastreabilidade de óleos amazônicos
Iniciativa conecta ciência, inovação e comunidades extrativistas, fortalecendo a bioeconomia amazônica e valorizando o trabalho de mulheres na cadeia produtiva.
Iniciativa conecta ciência, inovação e comunidades extrativistas, fortalecendo a bioeconomia amazônica e valorizando o trabalho de mulheres na cadeia produtiva.

A Universidade do Estado do Amapá (UEAP) participou da edição 2025 do Programa Biorama, uma iniciativa da Fundação CERTI em parceria com o Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus), que promove conexões entre ciência, inovação e comunidades tradicionais da Amazônia, com foco na valorização da sociobiodiversidade e no fortalecimento de negócios comunitários.

Representando a universidade, o professor João Antônio Pessoa da Silva, do Colegiado de Engenharia Química, integrou a equipe proponente da solução intitulada “Sistema Inteligente de Rastreabilidade e Detecção de Adulterações em Óleos Amazônicos via IA e Tecnologias Portáteis”, junto ao professor Jardel Pinto Barbosa e à engenheira agrônoma Rosângela Pena. A proposta tem como objetivo apoiar a cadeia de óleos vegetais produzidos por comunidades extrativistas, com foco na agregação de valor, eficiência na gestão da produção e rastreabilidade.

A imersão ocorreu na Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (AMARU), localizada na região do Médio Rio Juruá, no município de Carauari-AM. A AMARU é reconhecida por sua sólida atuação comunitária na extração de óleo de andiroba e manteiga de murumuru, operando com elevado comprometimento socioambiental.

Durante a visita técnica, foram discutidas formas de colaboração entre universidade e comunidade, com foco na organização de informações produtivas e na geração de dados qualificados sobre os óleos extraídos, incluindo o uso de equipamentos portáteis alimentados por bateria para fortalecer os mecanismos de controle de qualidade e rastreabilidade já existentes no território.

Também foram observadas oportunidades futuras de PD&I, como o aproveitamento de resíduos da extração de óleo para desenvolvimento de novos produtos, aprimoramento de secadores solares e estruturação de planos de negócios comunitários.

Um dos aspectos mais marcantes observados durante a imersão foi a importância do trabalho das mulheres extrativistas, que atuam em etapas centrais da produção. Em períodos de safra, são elas as responsáveis por caminhar quilômetros floresta adentro, carregando nas costas sacas de até 20 quilos com sementes coletadas. O transporte fluvial até os secadores comunitários pode levar de 24 a 48 horas, o que evidencia a complexidade e o esforço envolvidos em cada etapa da cadeia.

“Ainda que demande intenso esforço físico e exposição a riscos, todas com quem conversei expressaram orgulho pelo trabalho e amor pelo que fazem”, relata o professor João.

A experiência também revelou os desafios logísticos do território. Durante o deslocamento até a comunidade, a equipe enfrentou uma pane na embarcação, permanecendo cerca de 12 horas ancorada às margens do Rio Solimões, com necessidade de replanejamento do trajeto e estadia temporária no município de Tefé-AM.

“Essa vivência evidenciou os obstáculos enfrentados cotidianamente pelas comunidades amazônicas, reafirmando o papel transformador que a ciência pode exercer quando se conecta verdadeiramente aos territórios”, destaca o docente.

A participação da UEAP no Programa Biorama reforça o compromisso da universidade com a promoção da bioeconomia amazônica, a formação de redes colaborativas e o desenvolvimento de soluções técnicas e sociais em diálogo com os modos de vida tradicionais da região.


Última Modificação em : 26/05/2026 09:38:53