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Ueap participa de projeto que avalia presença de microplásticos em praias brasileiras

O projeto MicroMar pretende realizar um diagnóstico, em escala nacional, de um problema que ameaça fauna e flora aquática do mundo inteiro.

Um problema que já deve ser lidado no presente e uma ameaça para o futuro, a poluição por microplásticos é um dos grandes desafios a serem enfrentados para a proteção das águas do mundo. Com o objetivo de realizar um levantamento sobre a presença desses materiais em praias do estado, a Universidade do Estado do Amapá (Ueap) participa de projeto nacional que visa diagnosticar de maneira inédita e abrangente a temática.

O projeto “MicroMar”, liderado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano), é um dos maiores trabalhos já realizados no Brasil sobre a poluição por microplásticos em praias brasileiras e reúne pesquisadores de 15 instituições públicas de ensino do país. A Ueap representa o estado do Amapá na iniciativa, através de grupo liderado pela Profa. Me. Neuciane Dias Barbosa, docente do colegiado de Engenharia de Pesca da instituição.

As amostras foram coletadas pela equipe do IF Goiano e serão analisadas em laboratório, visando a quantificação e tipificação de microplásticos, estabelecimento de valores de referência para comparações dos plásticos encontrados em cada região do Brasil, demonstração da distribuição da poluição microplástica em cada ponto e a determinação de índices de carga poluidora. A Ueap ofereceu o suporte necessário para a realização dos trabalhos realizados no Amapá.

A equipe da nossa instituição vem colaborando na parte da construção da proposta e do projeto, a parte logística de campo - em que auxiliou os pesquisadores do IF Goiano, e estamos colaborando também com a divulgação científica do projeto no âmbito nacional. Mais adiante, vamos elaborar os resultados, com a produção de mapas, índices e toda a construção da discussão dos dados levantados”, explicou a professora Neuciane.

Os pesquisadores do projeto “MicroMar” estabeleceram no Amapá 40 pontos de amostragem ao longo da costa do estado, entre os municípios de Calçoene e Amapá. 

O que são os microplásticos?

Os microplásticos são definidos como partículas com tamanho entre 100 nm e 5 mm, que surgem a partir da degradação natural de materiais plásticos e conseguem transpor sistemas de filtração de água e, consequentemente, acabam por chegar aos rios, lagos e oceanos, representando uma ameaça à vida aquática. 

Por conta disso, governos e instituições científicas de diversas partes do mundo realizam esforços para caracterizar a presença e o risco que esses poluentes podem representar para os ambientes naturais, fauna, flora e para a própria saúde humana.

A professora Neuciane explica que materiais plásticos demoram muito tempo para se degradar por completo no meio ambiente, podendo se decompor em um prazo estimado de mais de 450 anos, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz. Assim, o plástico que é descartado incorretamente é um poluente tanto para as gerações atuais quanto para as futuras.

Financiamento do projeto

A iniciativa é um dos projetos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (chamada CNPQ/MCTI-FNDCT CT-PETRO nº 43/2022), estando de acordo com o Programa Ciência no Mar (PCMar/MCTI) e com o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar (PNCLM).

Alcance do projeto MicroMar

Até o momento, os pesquisadores realizaram a coleta de mais de 6.700 amostras de areia e água em 750 praias localizadas em 300 municípios e distritos nos estados do Amapá, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Um total de 5.578 km de orla já foi percorrido ao longo de julho de 2023 e fevereiro de 2024.

De acordo com o coordenador do projeto, o Prof. Dr. Guilherme Malafaia, do Instituto Federal Goiano, a expectativa é que até em abril de 2024, a coleta em todos os estados litorâneos brasileiros já terá sido realizada. Abrangendo uma área que vai da praia de Goiabal - localizada no município de Calçoene, no Amapá - até a Barra do Chuí no extremo sul do Brasil, estado do Rio Grande do Sul. A partir de maio, está previsto o início do processamento de todo o material amostrado.

O projeto também conta com a colaboração de pesquisadores de instituições de outros países como Alemanha, Bangladesh, Brunei, Índia, Portugal, Estados Unidos e Espanha.

Confira no link a seguir um  documentário elaborado pela equipe do projeto “MicroMar”: https://www.youtube.com/watch?v=VowMqBC-GsM

 


Última Modificação em : 26/05/2026 09:43:41